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terça-feira, 8 de março de 2011

DOPAZ



E quanto à segurança da população no Brasil?

Quem caminha por estas ruas tupiniquins - especialmente à noite - sabe bem que a sensação de segurança que se tem é meramente transitória, pois, durante o trajeto, é comum o sujeito ir pensando consigo mesmo: 'Até aqui, tudo bem.". É como se, na próxima esquina, sua sorte pudesse virar completamente contra ele.

Eu me sinto assim. Acredito que muitos outros brasileiros também, especialmente percebo que, quando algum de nós vai contar sobre um país estrangeiro, normalmente exalta a segurança - ou sensação de insegurança - que há lá fora. É só assistir o programa da Band, 'Brasileiros pelo mundo' (*), para se ter uma noção do quanto nos sentimos inseguros em nossa própria casa, pois vira e mexe algum entrevistado no programa menciona o quanto se sente bem e seguro nas ruas estrangeiras.

Contudo, por mais inseguras que sejam nossas ruas (alguém se esqueceu de que o PCC sitiou o Estado de São Paulo em 2006?), é triste que a conquista da paz dependa da força bruta policial. Para mim, isso significa uma assombrosa constatação da falência do Estado, como agente de prevenção da criminalidade e planejamento social.

No fim de 2010, eu havia lido o excelente livro da jornalista Tahiane Stochero, chamado "DOPAZ" (**), em que ela descreve a ação pacificadora da tropa brasileira no Haiti, narrando, com linguagem de caserna, o desenrolar do que se pode chamar de 'violência para a paz'.

As cenas, reais, são assustadoras e  a brutal submissão da sociedade haitina à marginalidade faz com que aceitemos a violência das tropas da ONU (integradas pela missão brasileira) como um mal necessário.

Mas ela estava falando do Haiti e, aqui no Brasil, moro num bairro relativamente tranquilo de Ribeirão Preto, longe da violência cotidiana de bandidos e de policiais, e até então, por mais que eu me sentisse insegura, a violência mais próxima eu via pelo telejornal, especialmente nas noticias sobre o Rio de Janeiro e São Paulo.

 Só que, nos ultimos meses, parece que a coisa toda mudou e tivemos de encarar o fato de que o Rio de Janeiro depende totalmente de uma força de pacificação para reduzir (?) a violência de suas ruas, tal qual o Haiti.

Como eu já disse outra vez, parece-me, os fatos que se desenrolam no Rio de Janeiro parecem antecipar os que virão no resto do país.

Será que Ribeirão Preto chegará a precisar de uma força de paz? E Franca? E Ituverava?

Espero que não.

Quero crer que as demais cidades brasileiras agirão preventivamente na questão da segurança pública e que, finalmente, deixarei de ver amigos traumatizados contando-me que foram feitos reféns por bandidos que invadiram suas casas.


* P.s.- o nome correto do programa da band é  "Classe Turista, o mundo segundo os brasileiros"

** P.s.2 - Blog sobre o livro Dopaz: http://dopaz.blogspot.com/

What about the security of the population in Brazil?

Who walks on these tupiniquim streets - especially at night - knows that their feeling of security is merely transitory, because on their way, they think to themselves: 'So far so good.". It’s like if at the next corner, their luck could turn completely against them.

I feel that way. I believe that other Brazilians do feel like that too, especially because when some of us will talk about a foreign country, he or she usually enhances the security - or the sense of insecurity - that's out there. Just watch the program of the Band television, “Brasileiros pelo mundo” (*) to get an idea of how we Brazilian feel insecure in our own country, because it’s usual to the interviewed on the program to mention how he feels safe on the streets abroad.

However, despite the fact that our streets are unsafe (did someone forget the PCC attacks on the State of Sao Paulo in 2006?), It is sad that the achievement of peace depends on the brute force. To me, that means an astonishing discovery of state failure on crime prevention and social planning.

In late 2010, I read the excellent book written by the journalist Tahiane Stochero called "Dopaz," (**) in which she describes the pacifying action of Brazilian troops in Haiti, narrating, with the language of the barracks, the unfolding of what you might call ' violence to peace. ".

The scenes on the book, were real and frightening, and the brutal subjugation of Haiti society for the marginality leads to accept the violence from the UN troops (integrated by the Brazilian DOPAZ) as a necessary evil. 

But she was talking about Haiti and here in Brazil, I live in a nice relatively calm neighborhood at Ribeirão Preto city, far away from the daily violence of bandits and police, and until now, much of my insecurity felling was due to the violence I saw at television, especially on news about the Rio de Janeiro and Sao Paulo.

However, in recent months, it seems that the whole thing changed and I have to face the fact that the Rio de Janeiro is totally dependent on a peacekeeping force to reduce (?) the violence on its streets, like Haiti.

As I said before at this blog, it seems to me that the events that take place in Rio de Janeiro anticipate others at the rest of the country.

So, will Ribeirao Preto security come to depend on a peacekeeping force? And Franca city? And Ituverava town?

I hope not.

I believe that the other Brazilian cities will act preemptively on public security and I will not hear traumatized friends telling me they were taken hostage by bandits who broke into their houses.


* P.s.- The correct name of the television show is "Classe Turista, o mundo segundo os brasileiros"



** P.s.2 - There is a blog about the book Dopaz: http://dopaz.blogspot.com/




sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sal amargo.

Adeus, Saramago.

Engraçado que não haja, em português, palavra apropriada para esta despedida. Pelo menos não a encontrei.

"Adeus" é o que sobrou pra se dizer a esse homem racional, ateu.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Arrumando a casa.


Para começar a mudar o mundo, primeiro, arrumemos nossa casa. Embora isso pareça ser muito mais simples que qualquer outra ação com efeito na comunidade, exige igual planejamento, consistência e persistência.


Comece pelo básico: dê atenção a suas crianças, converse com elas olhando-as nos olhos e, sempre que possível, brinque um pouco com elas (jogue bola, jogo-da-velha, dominó, pique-pega... o que parecer mais fácil pra você).

Em suma: doe seu tempo para seus pequenos.

Também é aconselhável ouvir das gerações anteriores (avós, tios-avós etc) o modo com que lidaram com seus pequenos (geralmente, nós mesmos), porque, conhecendo os adultos que dali resultaram, tem-se uma boa noção do que pode funcionar e o que não vai dar certo de jeito nenhum. Além disso, os mais velhos ficarão contentes em contar seus casos.

Como nem sempre haverá suficientes bons exemplos nas experiências dos mais velhos, ou melhor, como nem sempre os métodos aplicáveis lá poderão ser repetidos com sucesso aqui, com esta atual geração de crianças que já nasce conectada ao mundo, sugiro que se consultem bons livros escritos por profissionais da área (educadores, psicólogos.

Eu li vários deles e, embora ainda careça de algumas respostas (sim, claro, sou da Geração X), elegi um livro como essencial:

WHAT EVERY PARENT NEEDS TO KNOW – The remarkable effects of love, nurture and play on your child’s development (de Margot Sunderland, pela editora DK).


Mas como, infelizmente, parece não haver versão desse livro traduzida para o português, sugiro outro que é muito prático e pode ajudar pais em apuros:

POR DENTRO DA CABEÇA DO SEU FILHO (de Nigel Latta, pela editora Fundamento).

Vale a pena a leitura.


Agora, se você não é uma pessoa de leitura, sugiro um filminho leve:

O DIÁRIO DE UMA BABÁ (com Scarlett Johansson, Laura Linney, Paul Giamatti e Chris Evans – THE NANNY DIARIES).


De toda forma, lendo ou vendo filmes sobre crianças (puericultura), é provável que nos sintamos menos culpados por não estarmos dando atenção - direta - a eles nesses momentos.



To begin changing the world, first, let's fix our house. Though this seems to be much simpler than any other action that reflects in the community, it requires the same planning, consistency and persistence.



Start with the basic stuff: pay attention to your children, talk to them looking at their little shiny eyes and, whenever possible, play around with them (throw balls, play-tac-toe, dominoes... whatever is easier for you).

In short terms: donate your time for your little ones.

It is also advisable to hear from previous generations (grandparents, uncles, grandparents etc.) how they coped with their children (usually ourselves), because, knowing the adults that resulted from there is a good way to figure out what can work and that will certainly not work at all. Moreover, the elderly will be glad to tell you their stories.


As there may not be enough good examples in the experiences of older people, or rather, as the methods applied there may not be feasible to be successfully repeated here, at this current generation of children who are born connected to the world, I suggest you consult good books writen by professionals (educators, psychologists etc).


I've read several of those books and, although there are still lacks of answers (yes, I am from Generation X), I've chosen one book as essential:


WHAT EVERY PARENT NEEDS TO KNOW - The remarkable effects of love, nurture and play on your child's development (Margot Sunderland, published by DK).


But, unfortunately, it seems not to have been translated to Portuguese, so, I suggest another one that is very practical and can assist parents in trouble:

INSIDE THE HEAD OF YOUR CHILD (Nigel Latta by publisher basis).



Anyway, it's worth reading.




But, if you are not a book person, I suggest a flickering light:


THE NANNY DIARIES (Scarlett Johansson, Laura Linney, Paul Giamatti and Chris Evans).

terça-feira, 23 de março de 2010

Isabel do Chile

Vi um documentário em que uma simpática Isabel Allende apresentava sua vida - e sua inteligência - ao mundo.

As reviravoltas da vida dela contrapõem-se às reviravoltas do mundo que foi deixando pra trás:
fugindo do golpe militar de 1973, ela saiu do Chile, refugiando-se na Venezuela.

Só é o mesmo dos contos de fada: hoje, Allende vive nos EUA.

I saw a documentary where a friendly Isabel Allende exposed her life - and her intelligence - to the world.

The twists and turns of her life were showed in opposition to the upheavals of the world  that she was leaving behind: fleeing the military coup of 1973, she came out of Chile, taking refuge in Venezuela.

Only the same fairy tale: today, Allende lives in the USA.


 

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pérola de outros tempos (espero!)

Pérola de outros tempos (espero!), que li nas Seleções (Reader's Digest) de maio de 19474 (fl.15):

"A Estalagem Wayside, em South Sudbury, Massachusetts, que Henry Wadsworth Longfellow tornou famosa, mudou seu slogan 'comida e alojamento para homens e bichos', e adaptou-se aos tempos. Agora lê-se ' Comida e alojamento para homens, mulheres e animais.' - UPI'".

Coisa! Será que ele se refeira à inclusão das mulheres (incluídas) ou ao aos animais (e não mais bichos)?!? Eu sei que isso não se pergunta, mas tem piadas que, simplesmente, não entendo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Seleções selecionada

Sigo revisitando a Seleções (Reader's Digest) de maio de 19474 (fl.20):

"Saindo de um supermercado, o marido perguntou à mulher:'O que você está achando de ser uma nova-pobre?'".

domingo, 6 de setembro de 2009

Histórias

Foçando na histórica coleção de SELEÇÕES (Readrer's Digest) de seu venerável pai, Mestre Tzen encontrou um número de maio de 1974, mês de meu nascimento (Touro e Tigre, pra quem acha importante), e me presenteou com ele.
Na capa, uma folhinha (colada, tipo lapela) perguntava: "Terapia de grupo - brincadeira sexual ou tratamento sério?"
Caramba! Uns dezoito anos depois disso, pergunta parecida ecoava à boca miúda pelo campus da UFU (Universidade Federal de Uberlândia) por ocasião de um painel sobre somaterapia...
Eu e as ignorâncias revisitadas...

sábado, 27 de junho de 2009

Sobre algumas coisas e abaixo delas...

Estou lendo o "Na Sala com Danuza", um livro que ampliou minha visão sobre eu mesma: definitivamente, de festas, de vida social, endendo pouquíssimo (pra não dizer nada) e nem tô aí.
Eu, com meu estilo lacônico de conversação, se tentasse me envolver em assuntos festivos, seria daquelas anfitriãs que até parecem ter um pouco de vergonha de ficar conversando com os próprios convidados e, por isso, ficam carregando trecos de um lado pro outro, por mais inútil que essa atividade possa ser naquele momento.
Esse tipo de timidez adulta (ridícula como outras, mas inaceitável, por persistente) explica em parte minha opção por cerimônias quase desapercebidas (meu casamento, por exemplo, pra que tivesse sido discreto, teria de ter tido uns sete convidados) e incompreendido por avós, irmãs e amigos que se sentiram preteridos.
Percebo que esse comportamento quase incontrolável de reclusão, do qual padeço, faz-me mais pálida que poderosa aos olhos dos outros, mas, simplesmente, não me importo, pois ele garante minha liberdade: apenas faço o que meus limites permitem (e desejam)... Embora eu saiba que, tivesse eu mais do que acho vejo nos outros, não seria desta palidez moribunda, sempre à beira de me tornar outra coisa.
Acho que passarei a assistir novelas de agora em diante...

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Que venham os mexicanos!




Mestre Tzen acha que peguei pesado no post ''Agrishow & gripe suína", que deu a impressão de que eu pretendia isolar os caras e tal... confesso que me deixei levar pela histeria do momento, mas não foi minha intenção isolá-los (pelo menos não como os argentinos, que fecharam suas fronteiras). Estou mais calma agora, é verdade. Passou, passou.


MTzen, munido de sabedoria emprestada (do Fareed Zakaria, em "O mundo pós-americano"), explicou-me que a informação circula muito rápido hoje, o que dá impressão de que as coisas são muito mais graves e iminentes do que são de fato. Ele fez a conta (da relação entre infectados - 236 - e mortos - 8) e viu que a taxa de mortalidade da gripe suína (4%) é menor que a dengue hemorrágica (11%). Cabrón!




Assim, prometo que, de agora em diante, vou lutar até o fim pelo direito dos alérgicos mexicanos às viagens internacionais! Viva el Mexico!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Persépolis


Queridos amigos Mala y Cata, obrigada pelo 'Persépolis' (o adorável livro de Marjane Satrapi), que estou saboreando com mucho gusto!!!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O céu e Pessoa

Para não fazer injustiça, falo logo que o meu primeiro vislumbre de pensamento ateísta devo a Fernando Pessoa e sua mente inquieta:

"Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que não o conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos.
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!..."

(Fernando Pessoa/Obra Poética - Poemas de A.Caeiro - O guardador de rebanhos - VI)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Saramago e o céu


Confesso que rendi-me ao gênio de Saramago depois do filme do Fernando Meireles; mas não importa, sempre é tempo de descobrir as grandes pessoas. O resultado disso é que parei para ouvir o que ele diz e, numa entrevista à revista Bravo! de novembro/2008 (como eu disse, notícia não lida é notícia nova ainda), ele tascou o seguinte:

"As religiões, todas elas, nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros. Pelo contrário. E o catolicismo, neste particular, deu os piores exemplos ao mundo, basta que recordemos as torturas e as fogueiras da inquisição, essa associação criminosa cujos herdeiros ainda não pediram perdão às suas vítimas. Os crimes que desde sempre se cometeram em nome dos deuses são, como se dizia dantes, de bradar ao céu... Mas, como já deveríamos saber, o céu é surdo de nascença."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Bastidor literário.


Dentro do El Ateneo, perdi-me entre as estantes em busca de um autor argentino contemporâneo e consagrado e, como não consegui me decidir, pedi ao livreiro, em alto e bom portunhol, que me desse duas ou três indicações. Simpático, ele mostrou-me um livro e, em seguida, outro (cuja capa, na verdade, já havia chamado minha atenção) e, quanto a este segundo, eu falei: 'Mas este é o primeiro livro desse autor..." e ele respondeu: "Si, soy yo.". Diante de minha cara de espanto, que não consegui disfarçar, ele, com o mesmo sorriso da foto da orelha do livro, fisgou outro autor na estante e disse:"Hay este otro, que a mi me gusta mucho."; que, no final, foi o que comprei.

El ateneo.


Malas no hotel, saí para minha diversão favorita: andar nas ruas da nova cidade. Bayres é especialmente deliciosa para caminhadas, pois todo quarteirão mescla prédios residenciais - com suas sacadas repletas de plantas e portarias que se assemelham às de hotéis - com mercadinhos, lojas, livrarias... tudo vai muito bem, aqui e ali se identifica um lugar familiar, outro inusitado, mas ainda mundano, e assim se vai, até que se chega à livraria das livrarias: El Ateneo.

Quem sou eu

Minha foto
Ribeirão Preto, São Paulo, Brazil